Uma página em branco?

Com a chegada dos e-books uma nova forma de produzir e ler livros está surgindo. Será que vamos gostar das mudanças?


Por Rafaela Signoretti

Chegou a vez do livro de ficar preocupado com o avanço da tecnologia. Assim como o rádio um dia temeu a televisão e esta o cinema, o livro agora encontra um rival tecnológico: os e-Books. Com o surgimento do Kindle e do iPad, aquele velho e bom livro pode estar com os dias contados e isso irá exigir das editoras uma mudança radical na sua estrutura.

O iPad, da Apple, seria algo entre um smartphone e um laptop, que vem com o aplicativo e-Book, seguindo o padrão iTunes.  O iPad já chega nas lojas em parceria com as cinco maiores editoras americanas. Com ele é possível ler livros, ver filmes e navegar na internet. Será que o livro terá forças para concorrer com tamanho oponente?

A história como sempre possui dois lados. Os defensores da novidade argumentam que a nova tecnologia irá reduzir o impacto no consumo do papel, e com isso a natureza agradece. Do outro lado, temos o mercado livreiro que será duramente atingido. Com os e-Books uma editora pode disponibilizar seus livros para download, reduzir a tiragem das edições e com isso distribuir seus livros para poucas lojas, dá até para imaginar quem ganhará essa luta, as grandes lojas de livro, claro.

A outra questão é como será feita a divulgação dos novos livros. Quem já não passou pela experiência de entrar em uma livraria e se deparar com um livro inusitado, que foi comprado ali por acaso. E a experiência da compra? Assunto tão debatido por marketeiros. Entrar nunca livraria, andar pelas estantes, admirar as capas e, se o local tiver um café então, melhor ainda. Que tipo de experiência de compra os e-Books irão proporcionar? Será um desafio para as editoras. E o que será feito das bibliotecas? Bibliotecários devem temer por suas profissões?  Espero não estar sendo apocalíptica, mas é um caso a se pensar…

Trazendo para a realidade de nosso país, será que com essa violência toda, conseguiremos ler Machado de Assis ou Paulo Coelho sem corrermos o risco de sermos assaltados? E nos coletivos, como saberemos o que a pessoa está lendo, se não vemos a capa do livro? Já vi muita gente se contorcendo para poder saber o que a pessoa estava lendo. É a curiosidade humana a favor do mercado editorial.

Sei que pelo papo parece até que sou contra a tecnologia, não é isso. São questões a serem debatidas. As pessoas já baixam livros e até conheci uma moça que lia livros na tela minúscula do celular. Ou seja, é um processo que não tem volta. Não sei se daqui a 20 anos existirão livrarias ou bibliotecas, sentirei muita falta se isso acontecer, mas se for o rumo que a humanidade tomar, o que vou fazer? Nada. Meus livros ficarão guardados para sempre, isso é certo!

O livro já está no mercado há séculos, conseguiu se adaptar bem às modificações.  Foi escrito na argila, pedra, papiro, pergaminho, papel e agora está se tornando virtual. Ele sempre transformou e está para contar sua história. O livro pode até desaparecer na forma como existe hoje (eu espero que não), o que não pode sumir é a prática da leitura, isso sim, seria a grande perda da humanidade.

6 comments to Uma página em branco?

  • Rodrigo Cotrim

    Rafa, adorei a sua colocação com relação à experiência de compra.

    Acredito que comprar um livro não é somente adquirir uma fonte de informação, é mais do que isso. É mesmo o namoro na livraria com o autor, o pensar se deve ou não, o desejo de absorver aquele conteúdo, acredito muito que a experiência é maior que a compra! Assim como a experiência de consumo em lojas de eletrônicos é bastante peculiar…são momentos diferentes de aquisições diferentes. Será que irão se mesclar? Será que encontraremos leitores e “celular maníacos” lado-a-lado na FNAC?!?!?!

    Concordo com você, há sempre os entusiastas das novas tecnologias (eu, por exemplo), mas acredito que ainda não criaram uma forma tão prazerosa de ler, por mais “sustentável” que seja este novo modelo de produção (eu duvido, porque a matéria-prima que faz o “e-book reader da vida” veio também da natureza e não de Marte), sempre haverá espaço para o bom e velho livro impresso. Além de ser compacto e ter menos apelo de roubo (\o/), não acaba a bateria! :)

    Mas é isso, os mercados vão se integrando mesmo, é uma tendência irreversível.

    bjs e parabéns pela estréia! Conte sempre com este espaço.

  • O livro não acabará, tampouco as livrarias e bibliotecas acabarão. Serão reinventados. Mas não acabarão. Porque o homem sempre se reinventou e o livro continuou.
    Há tempos que os livros não são “somente livros”. Tem os audiobooks (que me parece não ter pegado muito por aqui, além da versão da Bíblia de Cid Moreira), os livros cheios de arte, em que compramos mais beleza estética do que conteúdo editorial e tantas outras apostas.
    Estamos nos reinventando tanto e sempre que pode ser que os ebooks, em breve, tragam até cheiro de livro! Gostou da ideia? Veja esse post que li ontem sobre o aroma marketing http://migre.me/jqGI
    beijo e bem vinda! :-)

  • Não entendo como as pessoas conseguem comprar frios e-books para ler em um Kindle, iPad ou laptop? E os livros físicos? E as livrarias? E o namoro com o livro?

    Eu passei várias horas da minha vida em livrarias apenas flanando pelas prateleiras, espionando os lançamentos e descobrindo alguns dos meus autores favoritos apenas pegando títulos aleatórios e exemplares empoeirados e esquecidos.

    Será que isso faz parte da evolução? Será que TEM que fazer parte da evolução?

  • Rodrigo Cotrim

    Pois é Leandro, o seu questionamento é super pertinente.

    Eu e muitos amigos temos o mesmo hábito: de paquerarmos livros nas estantes da vida. Acredito que este “ritual” não acabará, mas sempre há espaço para a inovação.
    Novas formas de fazer as coisas não necessariamente acabam com as antigas. Nem posso dizer que comprar um livro impresso é uma coisa antiga, pois dentro da nossa estrutura social, esta é a forma mais difundida de “consumo” do saber, mas será que no futuro as coisas serão assim? Será que incorporaremos tanto os apetrechos tecnológicos em nossas vidas que um livro impresso se tornará algo de fato obsoleto? Sinceramente, não sei. Só o tempo mesmo irá dizer…

    Abraços e obrigado pela visita ao blog.

  • Lu Vilanova

    Livros são vendidos pela internet há algum tempo. E mesmo com o boom da compra online, ainda hoje vemos as livrarias cheias, com as pessoas “paquerando” os livros antes de comprá-los. Com as cafeterias dentro das livrarias, fica até mais gostoso o ritual de ir até a livraria, folhear uns livros, comprar e até aproveitar a viagem para convidar um amigo para tomar um café… É um hábito que acho difícil desaparecer.

    Acredito que teremos dois tipos de livros. E o ritual de ir até as livrarias vai continuar. Assim espero.

  • Rodrigo Cotrim

    Eu também acredito muito nisso, Lu. bjs

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